Uma das imagens mais tristes que vejo quando vou ao centro da cidade são as bancas de jornais, cada vez mais obsoletas e vazias.
A maioria delas vende apenas os jornais populares, com conteúdo sensacionalista. Junto, é possível encontrar cigarros, carregadores de telefones, créditos para celular, fones de ouvido entre outros artigos para suprir nosso imediatismo.
Fala-se por aí que as bancas estão acabando, mas estamos cada vez mais informados. Estamos?
O hábito de comprar o jornal, especialmente por idosos e comerciantes, foi plenamente substituído pelas notícias em tempo real nos smartphones?
A banca de jornal era o templo da pessoa que gostava de se informar. As revistas eram separadas por setores específicos. Aguardávamos ansiosos o exemplar do mês.
Em tempos mais antigos, pessoas esperavam pelos jornais para saber o que estava acontecendo no mundo. Quem podia recebia em casa, com o dia ainda amanhecendo. Mas o povo aguardava o jornaleiro chegar, pra comprar o jornal e ir ao barbeiro ou pra pastelaria discutir sobre as principais notícias.
Hoje dependemos da tecnologia em nossas mãos, ou no caso dos antiquados, que filhos, netos e sobrinhos os informem.
Agora, ao invés do jornal, lemos as notícias encaminhadas por aplicativos, escritas Deus sabe por quem e por qual objetivo.
A cultura moderna nos entregou muito mais informação, sem dúvidas. Mas, ter tanta informação é sinônimo de estar informado?
Com tanta notícia a todo tempo, nos tornamos seres extremamente ansiosos e dependentes por saber "a última". E nos frustramos por saber que não é possível acompanhar o ritmo das informações na velocidade em que elas chegam.
Quando vejo uma banca de jornal em seus últimos suspiros, vejo uma sociedade mais triste e doente.
Artigos e crônicas sobre politica, cultura e cotidiano na visão de um novo cientista político.
quinta-feira, 23 de maio de 2019
As bancas de jornais, vazias, nos esvaziam
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